CÂNULA NASAL DE ALTO FLUXO (CNAF) OU CATÉTER DE ALTO FLUXO
Hoje vamos falar um pouco sobre a Oxigenoterapia com a Cânula Nasal de Alto Fluxo (CNAF) ou também conhecido como Catéter de Alto Fluxo.
Sabemos que a oferta de oxigênio ao paciente pode ser feita tanto de maneira invasiva quanto não invasiva, e, dependendo da gravidade e da necessidade dele de oxigenação e/ou ventilação, às vezes optamos por ir escalando o método dessa oferta de acordo com a resposta ao método escolhido.
O QUE É E COMO FUNCIONA?
A cânula nasal de alto fluxo (CNAF), é um suporte respiratório não invasivo que oferece oxigênio aquecido e umidificado em fluxo de até 60 L/min e FiO2 de até 1,0 . Além disso, apesar de ser um sistema aberto oferece pequena pressão positiva nas vias aéreas (estima-se que para cada aumento de fluxo de 10 L/min, aumente 0,69 cm H2O de pressão se boca fechada e 0,35 cm H2O se boca aberta).
BENEFÍCIOS:
- Maior tolerância dos pacientes, já que não resseca as vias aéreas, além de auxiliar na hidratação e, consequentemente, no clearance mucociliar.
- Minimiza atelectasias
- Elimina o espaço morto naso-faríngeo
- Atenua a resistência inspiratória
- Melhora da complacência pulmonar
- Diminui a dispnéia e o trabalho respiratório
- Melhora a oxigenação
INDICAÇÕES:
A principal situação que indica benefícios do uso da CNAF é a insuficiência respiratória aguda hipoxêmica, porém, segundo o artigo “The role for high flow nasal cannula as a respiratory support strategy in adults: a clinical practice guideline”, outras situações em que provavelmente os efeitos desejados do uso da cânula superem os não desejados incluem:
- Insuficiência respiratória aguda pós-extubação em pacientes intubados por período maior que 24 horas e com pelo menos 1 fator de alto risco para reintubação.
- Período pós-intubação em pacientes de alto risco e/ou obesos, submetidos à cirurgia cardíaca ou torácica.
- Em pacientes já em uso de CNAF no período peri-intubação, é sugerido que seja mantida.
CONTRA INDICAÇÕES:
Devido a falta de evidências robustas, em geral, aplica-se as mesmas da ventilação não-invasiva. Porém, ao optar pelo seu uso deve-se ter atenção a preditores de falha, como baixa SaO2, aumento do trabalho respiratório e assincronia toracoabdominal para não adiar desnecessariamente a ventilação invasiva, sendo a decisão baseada no julgamento médico a respeito do quadro clínico do paciente.
Durante a pandemia da Covid-19 surgiram diversos estudos tentando avaliar a eficácia da cânula nasal de alto fluxo nos pacientes infectados com o coronavírus e seu uso pode ser benéfico e seguro tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde neste contexto, desde que tomadas às devidas precauções.
Referências utilizadas:
- USP medicina de emergência 14ª ed
- Principais recomendações do guideline sobre uso de cânula nasal de alto fluxo – PEBMED
- Sociedade Portuguesa de Medicina Interna – Volume 25 #2 Abril/Junho 2018 (spmi.pt)
- 0103-507X-rbti-20170060.pdf (scielo.br)
- Sem título-1 (ceara.gov.br)
- Terapia de Oxigênio Nasal de Alto Fluxo no Departamento de Emergência: Uma Revisão Integrativa – InterFISIO